Safra da soja bate novo recorde de produção no arenito Caiuá
As plantações de soja no solo do arenito Caiuá voltaram a bater recorde de produção. A satisfação dos técnicos e produtores se deve a indicações de que o solo não é ideal para a produção da lavoura. Porém, os números vêm mostrando o contrário e a região de Umuarama teve um aumento de 7,4% na colheita 2017/2018 em relação à safra 2016/2017.
Dados do Departamento de Econômica Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Abastecimento e Agricultura (Seab) mostram crescimento na produção da soja nos 23 municípios da região, com a safra fechando em 3.521 quilos por hectares de média, sendo que no ano passado os números foram de 3.279 Kg/Ha. “Quando se pensa em solo arenoso essa produtividade é alta, chegando próximo aos números do solo argiloso”, disse o agrônomo do Deral, Antônio Carlos Fávaro.
As condições climáticas, além da tecnologia agregada à plantação, foram fatores importantes para a produção da soja na região, ressaltou o Fávaro. O agrônomo explicou que, o excesso de chuvas entre 2017 e 2018 foi importante para o desenvolvimento da soja no arenito Caiuá, diferente do que aconteceu em regiões de solo argiloso, mais conhecido como terra roxa. “O arenito mostra que tem suas vantagens. Como é um solo arenoso, a infiltração da água foi maior e não ouve encharcamento do solo”, disse.
A área plantada de soja também aumentou na região. Nesta safra foram 152 mil hectares no núcleo de Umuarama, contra 147 mil hectares de 2016/2017. O crescimento surge com a soja tomando espaços da cana-de-açúcar, principalmente em Perobal, onde teve fechamento de usina de moagem. O município com recorde de produção foi Mariluz, com 3.900 Kg/Ha. “Acredito em um crescimento ainda maior para a próxima safra. Isso vai incidir principalmente na qualidade da carne produzida na região, para os pecuaristas que investem na soja como rotatividade”, argumentou o agrônomo do Deral.
LAVOURA PECUÁRIA
A soja entra na região do arenito Caiuá como opção de reforma das pastagens, seguindo a visão da lavrou e pecuária unidas. “Ainda temos que avançar na questão da integração com a pastagem, pois assim que sai a soja os produtores estão entrando com milho. Entretanto, na minha visão de agrônomo, vejo o milho safrinha como uma opção arriscada para a região, devido ao frio e a fertilidade do solo. Na região vejo a pastagem como melhor opção, a qual vai suprir a alimentação do gado no inverno”, explicou Fávaro.
Regras de plantio
A regra para essa rotatividade seria, colher a soja até março e entrar com a pastagem até agosto e em setembro voltar com a soja. “Essa interação beneficia a todos. Hoje os pecuaristas ainda fazem parceria com arrendatário, mas seria uma ótima opção de renda os donos das terras começarem a plantar também. Talvez isso não aconteça, pois vemos um medo vindo do período de 2003 a 2004, quando houve uma seca e perdemos dois anos das áreas de soja. Mas hoje a tecnologia de sementes é outra, temos soja dando várias floradas ao ano, saindo do risco da seca, como também zoneamento melhor” explicou o entrevistado.


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